O senador paraibano Cícero Lucena (PSDB) chamou o ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF), de atrevido e despreparado. Ele referia-se aos comentários que o magistrado fez sobre a renúncia de Ronaldo Cunha Lima ao mandato de deputado federal para escapar do julgamento da mais alta Corte do País.
O ex-prefeito de João Pessoa fez as declarações ao conceder entrevista ao programa “Paraíba Agora”, transmitido pela Rádio 101 FM e apresentado pelo radialista Napoleão de Castro. Lucena avaliou a reação de Joaquim Barbosa, relator do processo, como um “gesto infeliz”, alegando que ele, como juiz, tem a responsabilidade maior de preservar o direito de defesa do cidadão.
Para Cícero Lucena, "o ministro demonstrou, de forma muito clara, qual era a sua pretensão e disposição de querer agora ser o paladino da verdade e da Justiça, tendo inclusive o atrevimento... ele não é nem melhor nem maior do que nenhum juiz da Paraíba para querer dar lição ao Judiciário paraibano”.
Entende o senador paraibano que o ministro Joaquim Barbosa não tem esse direito, e demonstrou despreparo no processo.
Motivo - A propósito da renúncia de Ronaldo, o ministro Joaquim Barbosa acusou o ex-deputado e ex-governador Ronaldo Cunha Lima de ter manobrado para escapar de seu julgamento na mais alta corte do país.
“Esse homem manobrou e usou de todas as chicanas processuais por 14 anos para fugir do julgamento. O ato dele é um escárnio para com a Justiça brasileira em geral e para com o Supremo em particular”, disse o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo.Ele tem direito de renunciar, mas é evidente a segunda intenção. O que ele fez foi impedir que a Justiça funcionasse”, afirmou o ministro.
O STF havia marcado para a segunda-feira (5) o julgamento da ação penal contra Cunha Lima, acusado de tentativa de homicídio. Com a renúncia, ele perde o foro privilegiado no Supremo e o processo será enviado à Justiça comum.
Ronaldinho - Acerca do mesmo assunto, o advogado Ronaldo Cunha Lima Filho (Ronaldinho) disse que nunca viu um magistrado, antes de julgar, defenestrar, ofender e atacar o acusado. “É um negócio que, para mim, é surpreendente”, comentou Ronaldinho, acrescentando: “Nunca vi um magistrado que ocupa a mais alta corte do Brasil tecer comentários desairosos contra um acusado a quem ele chamou de “esse homem”
Antes, porém, o advogado acusou o Sistema Correio de praticar um jornalismo marrom por haver reproduzido as declarações do ministro Joaquim Barbosa e dado ampla cobertura aos desdobramentos da renúncia do ex-deputado Ronaldo Cunha Lima, à semelhança do que fizeram veículos de comunicação de todo o País.
Wellington Farias