O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa acusou o deputado e ex-governador da Paraíba Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB), que renunciou ao cargo nesta quarta-feira (31), de ter manobrado para escapar de seu julgamento na mais alta corte do país.
O STF havia marcado para a próxima segunda-feira (5) o julgamento da ação penal contra Cunha Lima, acusado de tentativa de homicídio. Com a renúncia, ele perde o foro privilegiado no Supremo e o processo será enviado à Justiça comum.
“Esse homem manobrou e usou de todas as chicanas processuais por 14 anos para fugir do julgamento. O ato dele é um escárnio para com a Justiça brasileira em geral e para com o Supremo em particular”, disse o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo.
“Ele tem direito de renunciar, mas é evidente a segunda intenção. O que ele fez foi impedir que a Justiça funcionasse”, complementou.
Por meio de sua assessoria de imprensa, Ronaldo Cunha Lima disse que a resposta ao ministro Joaquim Barbosa é o documento lido em plenário pelo líder do PSDB na Câmara, deputado Antonio Carlos Pannunzio. Na carta de renúncia, ele diz que deixou o cargo para responder "apenas como cidadão" ao crime.
"Quero, com esse gesto extremo, despir-me de quaisquer prerrogativas para assumir, apenas como cidadão, episódios particularmente dolorosos de um passado já remoto no tempo, mas ainda muito presente em minha vida e minha consciência, por seus desdobramentos de sofrimento e de dor", disse na carta.
Fim do foro privilegiado
Irritado, o ministro convocou a imprensa para dar entrevista no intervalo da sessão plenária do Supremo. Criticou duramente a atitude do deputado. E pediu o fim do foro privilegiado. “O gesto dele mostra o quanto é perverso o foro privilegiado. O que tem que fazer, por parte da Justiça, é acabar com o foro privilegiado. Só isso”, declarou.
Joaquim Barbosa aproveitou para dar um recado para a Justiça estadual da Paraíba – para onde será remetido processo. “Espero que haja juízes corajosos e independentes na Paraíba para julgá-lo”, finalizou.
O atentado no Gulliver
Pai do atual governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), Ronaldo Cunha Lima responde a uma ação penal instaurada por tentativa de homicídio contra o ex-governador da Paraíba,Tarcísio de Burity, ocorrida no dia 5 de dezembro de 1993.
Burity se encontrava no restaurante Gulliver, de João Pessoa, quando sofreu o atentado do qual escapou, após ser socorrido e operado par extrair uma bala que lhe atingiu o rosto. Dez anos depois do crime, Burity viria a falecer de falência múltipla de órgãos. Em sua defesa, Ronaldo Cunha Lima alegou que Burity o ameaçava e que não premeditou o crime.
Da Redação, com informações do Globo.com