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    Quinta, 1 de Novembro de 2007 - 07h18

    Glauce: Burity começou a morrer a partir do Gulliver

    "Tarcísio começou a morrer a partir dos tiros que levou no Gulliver", disse a historiadora Glauce Burity, viúva do ex-governador Tarcísio Burity, em entrevista ao programa Correio da Manhã, da 98 FM, nesta quinta-feira (1º).

    Ela descreveu o agravamento da saúde de Burity depois que ele foi vítima de tentativa de assassinato praticada pelo à época (5 de novembro de 1993) governador Ronaldo Cunha Lima.

    "Burity ficou profundamente abalado, psicologicamente, nunca mais foi o mesmo", relatou Glauce, revelando ainda que após o crime ela, seus filhos e principalmente o marido passaram a sofrer uma espécie de tortura psicológica dos adversários.

    Foram inúmeros telefonemas e cartas anônimas, invariavelmente ameaçando dar cabo de toda a família ou de Glauce e dos filhos, que seriam os "da vez". Essas ameaças sempre faziam referência à má pontaria de Ronaldo para dizer que, dessa vez, não haveria erro.

    Pressão pelo "perdão"

    Glauce Burity contou que quando o estado de saúde de Burity se agravou, após o infarto, familiares, amigos e aliados políticos de Ronaldo pressionaram pelo "perdão" da vítima ao agressor.

    A todos o ex-governador lembrava que na prática já tinha concedido o perdão desde quando, ferido pelas balas de Ronaldo, sangrando num leito de UTI do Hospital Samaritano, escreveu aos filhos pedindo para que eles não se vingassem.

    Glauce ressaltou, contudo, que esse perdão jamais significou consentimento para uma aproximação, como parecia desejar o próprio Ronaldo, que manifestava a intenção de visitar Burity para dele receber o perdão pessoalmente.

    Renúncia é "escárnio"

    Glauce Burity reafirmou sua opinião de que a renúncia ao mandato de deputado federal por Ronaldo Cunha Lima foi, além de um ato covarde, um verdadeiro escárnio para com a Justiça, como classificou o ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal contra o ex-governador no Supremo Tribunal Federal (STF).

    A viúva de Burity lembrou que ao longo de 14 anos o deputado utilizou-se do foro privilegiado para fazer o processo se arrastar pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e, quando viu que seria enfim julgado, renunciou para fugir de uma condenação previsível.

    Ela disse que Ronaldo subestima a inteligência do povo ao tentar passar a idéia de que a renúncia foi um gesto grandioso, de quem quer realmente ser julgado como cidadão comum. A viúva acredita que tudo faz parte de uma manobra pra procrastinar um desfecho de processo ao máximo, para dar tempo de prescrever a capacidade punitiva do Estado.

    Burity não atacou Cássio

    Glauce também desmentiu categoricamente todas as versões que tentaram emplacar a idéia segundo a qual Tarcísio Burity teria dado motivo para "o gesto tresloucado" do então governador porque o seu antecessor atacara a honra de Cássio Cunha Lima.

    A viúva lembra que no dia do crime, pouco antes de ser atingido por Ronaldo, Burity concedeu uma entrevista à TV O Norte na qual teria feito acusações graves ao filho do governador, conforme espalharam os chamados ronaldistas.

    Ela disse que assistiu atentamente àquela entrevista e em nenhum momento Burity citou sequer o nome de Ronaldo ou do filho, conforme está provado nos autos do processo.

    Rubens Nóbrega
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