O desembargador Abraham Lincoln pediu vista dos autos do processo do Caso A União e, com isso, o Tribunal Regional Eleitoral interrompeu pela segunda vez, na tarde desta segunda-feira (19), o julgamento do processo do Caso A União.
O pedido de vista aconteceu quando o placar estava empatado: dois juizes, o relator e corregedor Carlos Eduardo Lisboa e Nadir Valengo, haviam votado pela cassação do governador Cássio Cunha Lima (PSDB), enquanto João Benedito e Renan Neves posicionaram-se pela não cassação.
Benedito admitiu apenas uma multa contra o governador, enquanto Renan inocentou Cássio por completo das acusações formuladas pelo Ministério Público Eleitoral, manifestando pela improcedência da representação formulada pelo procurador regional eleitoral José Guilherme Ferraz.
Lincoln alegou que alguns pontos ainda não foram enfrentados devidamente em plenário, a exemplo das referências do relator às colunas do jornal A União que teriam caracterizando promoção pessoal e política do governador. Além disso, os juizes que votaram hoje o fizeram antes de Carlos Eduardo Lisboa complementar seu voto, dado na sessão do último dia 8, para esclarecer sobre o uso de gráfica e servidores de A União na campanha de 2006.
O julgamento do Caso A União, no qual o MPE pede novamente a cassação do governador Cássio Cunha Lima por abuso de poder político e econômico e conduta vedada pela lei eleitoral, pode ser retomado na próxima quinta-feira (22) ou, se o desembargador não preparar seu voto-vista, ficará mesmo para a segunda-feira (26).
A juiza Maria Cristina Garcez não participou da sessão de hoje, em razão de problemas de saúde na família.
Os advogados do governador disseram, em entrevista, que o TRE "está retomando a razão" porque estaria analisando o Caso A União com mais "cuidado" e "parcimônia", numa referência indireta aos pedidos de vista deste processo, em contraposição ao da Fac, que foi julgado numa única sessão e resultou na cassação do governador.
Da Redação