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    Segunda, 16 de Março de 2009 - 21h17

    Richard Rasmussen grava matéria para ‘Selvagem ao Extremo’ na Paraíba

    O biólogo Richard Rasmussen, que apresenta o quadro Selvagem ao Extremo, no Domingo Espetacular da Rede Record, gravou matéria na zona rural de Fagundes nesta segunda-feira (9). Sua vinda ao município estava prevista para o mês de junho, mas o ambientalista fagundense Aramy encontrou um ninho de Urutau, conhecido aqui como Pai da Lua, que está na lista de extinção.

    O fato despertou a curiosidade de Richard, que antecipou sua vinda. Ele e Aramy passaram toda à tarde e parte da noite gravando nos sítios Matias, Francisco dos Reis, Serrote Preto e Corta Bainha, que fica a cerca de cinco quilômetros de Fagundes. O objetivo da matéria é mostrar não só o Pai da Lua, mas também outros animais que habitam a região. As matérias gravadas serão exibidas no programa Domingo Espetacular da rede Record.

    “O Urutau ou Pai da Lua é uma ave pré-histórica muito rara que só canta em noite de lua cheia. Ele está na lista dos animais em extinção, por isso é muito raro encontrar uma ave e mais raro é encontrar o ninho dessa ave que põe um único ovo a cada três anos. Ela demarca um grande território de mata virgem,”, explica Aramy, que pesquisa essa ave desde criança.
     
    O que é o Urutau?

    O nome Urutau vem do tupi guarani e significa ave-fantasma, mas aqui no Nordeste ele é mais conhecido por Pai da Lua. O Urutau ou Pai da Lua é um dos pássaros mais cultuados na literatura fantástica. Ele também aparece em lendas e poesias. Espécie em extinção, o Pai da Lua existe há pelo menos 20 milhões de anos, muito antes do “Homo sapiens” surgir na Terra.

    Há 20 dias, o ativista ambiental Everaldo Fablício, mas conhecido por Aramy, idealizador dos projetos Saco de Leite Vazio não é Lixo, Biqueira Velha, Natureza Livre, EcoTeatro na Escola, dentre outros, encontrou um ninho de Pai da Lua numa das matas que ficam dentro da área do projeto Natureza Livre na zona rural de Fagundes, cidade do agreste paraibano.

    “O Pai da Lua é o camaleão das aves com alto poder de camuflagem. O seu ninho fica quase imperceptível nas árvores que geralmente são secas”, explica Aramy. Atualmente, o Pai da Lua é considerado ave extinta.  Ele possui a cabeça chata, olhos grandes e vivos, a boca rasgada de tal maneira que seus ângulos alcançam a região posterior dos olhos. Sua cor é parda acanelada. Isso lhe permite adaptar-se à cor do galho onde pousa. Esse seu disfarce associado a sua perfeita imobilidade o protegem da vista dos caçadores.

    O Pai da Lua não constrói ninho propriamente dito. No período de reprodução, deposita um único ovo em alguma forquilha de galho grosso a grande altura ou numa cavidade natural de seu poleiro noturno, onde permanecem em atividade de choco. A reprodução dessa espécie maior e mais rara, encontrada em Fagundes, acontece de três em três anos.


    O canto do Pai da Lua e os mitos

    Para alguns, o canto do Pai da Lua parece semelhante ao lamento de uma mulher. Em outras pessoas, o canto do Pai da Lua provoca espanto e piedade aos que possam ouvi-lo.

    A quase invisibilidade do Pai da Lua confere-lhe o caráter de um ente misterioso. Muitos não o tomam por uma verdadeira ave, senão por um ser fantástico, inacessível à mão e aos olhos humanos. Já outros, porém, não duvidam de sua existência, mas consideram-no como um ente enigmático e superior, dotado de muitas qualidades fora das leis naturais, entre elas, a de preservar a pureza das moças.

    Apesar de seu grito de lamentação, o Pai da Lua não era tido entre os indígenas como uma ave de mau agouro. Conta-se que os tupinambás consideravam o canto desta ave como saudações de antigos parentes mortos que gritavam para excitá-los à guerra contra os inimigos.

     

    Redação
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